SOLIDÃO DESESPERADORA NO OCASO DA VIDA – por Iatagã Bulcão (23-11-2012)

Mais um crime contra homossexual com características bastante comuns: a vítima é um senhor aposentado e/ou idoso, mora sozinho, recebe visitas de rapazes (notem que usei o termo no plural, porque é muito comum que sejam dois ou até mais), o fato se dá nas noites/madrugadas e/ou finais de semana ou feriados. 

Aí vem logo aquela pergunta mais ou menos óbvia: se se trata de um crime tão comum no meio homossexual, como é possível que pessoas de classe média ou ricas, instruídas, experientes (até mesmo pelo fator idade) caiam nessa arapuca?

Eu tenho a resposta numa palavra: SOLIDÃO. Mas não é aquela solidão passageira, eventual, facilmente sublimada com um bom livro, um filme, um passeio pelo quarteirão. Não, amig@s, aqui se trata da solidão profunda de quem não tem alguém que o ame ou a quem possa amar. É a solidão de quem nunca teve filhos – às vezes nem animais domésticos -, tem poucos (ou nenhum) amigos, sente a proximidade da morte e o peso de pertencer a um mundo extremamente narcisista e comercial, como é o meio homossexual em geral (Não falo de mim, de você, de muitos que aprenderam a sublimar paixões não correspondidas ou sequer acontecidas, que descobrem o prazer de um hobby, que têm vida cultural e social, que gostam de viajar, etc., etc., etc.). Só lhes resta o desejo ardente a consumir-lhes o corpo e o espírito; só lhes resta a superficialidade de uma vida de contatos fortuitos e “amores” comprados. Acostumaram-se com o sexo da prostituição, ou se “descobriram” homossexuais já muito tarde e perderam o tempo da conquista possível pelo que são, não pelo que podem pagar. São pessoas que entram num bar gay, se sentam, bebem, passam algumas horas sem trocar palavras a não ser com os garçons, e vão embora tão despercebidos quanto chegaram. Já nada valem no mercado gay, que prima pela juventude, aparência, frivolidade, poder aquisitivo, ilusão, fama e todos esses valores pobres de uma sociedade extravagante. Às vezes até foram pessoas que tiveram um passado de brilho e glamour, e não perceberam que o tempo de decadência já chegou e que estão vivendo já o tempo do ridículo. 

Talvez alguns – especialmente os gays fúteis – dirão que eu estou sendo muito ácido em meu julgamento. Primeiro, não julgo; observo, constato, traduzo em palavras; não escrevo o mundo, sou seu mero fotógrafo que tem na pena e no papel (hoje, no computador) seu instrumento de trabalho. Segundo, todo o meu comentário se baseia na notícia; não vem ao caso falar aqui do gay escritor, artista, empresário bem sucedido, casado com um parceiro, com filhos adotivos, vivendo uma versão gay do “sonho americano” à la Rick Martin. Finalmente, quem vai ter a coragem de me dizer que não é assim mesmo? que as saunas, os bares, as boites, os cruzamentos, os estacionamentos vazios e os banheiros dos shoppings não estão abarrotados de seres desesperados por sexo, de gestos nervosos, olhares ansiosos, passos vacilantes, encorajados pelo álcool ou pela droga, sôfregos por uma satisfação sexual instantânea e no anonimato? 

É óbvio que o mundo heterossexual também tem seu lado sombrio, suas ilusões cruéis, seus valores decadentes, a mesma corrida pelo sexo, pelo álcool e pelas drogas, suas infidelidades, suas mentiras e hipocrisia. Mas não sou hétero e não escrevo aqui e agora sobre essa outra banda do mundo. Portanto, não me acusem de querer manchar a imagem do gay, quando muitos de nós a manchamos em nossos próprios atos autodestruidores, sem precisar da ajuda de ninguém. Ou de insinuar que o homossexual é pior que o hétero. É óbvio que não é; que ambos têm qualidades e defeitos, e que há gays e gays, assim como há héteros e héteros. 

Muito menos é minha intenção julgar, apontar o dedo para alguém ou algum grupo. Não, não e não! Muito pelo contrário, lanço aqui meu olhar de compreensão, estendo minha mão em ajuda, simplesmente esclarecendo que não cabe a ninguém julgar a vítima, mas ao criminoso. Abro o baú das verdades incômodas e mostro o porquê de pessoas boas e merecedoras de amor e respeito caírem nessa ilusão do amor fácil. Estou solidarizando-me com elas, tendo compaixão delas, colocando-me no lugar delas, e revelando o peso da solidão que sentem, o extremo do descuido a que chegam em sua busca desesperada por alguém que as toque, que as olhe nos olhos, que finja amor e desejo por elas, que as faça acreditar na beleza que sabem não mais possuir, que lhes desperte e sacie o desejo sexual, que as permita viver alguns momentos de felicidade longe do olhar crítico e repulsivo de um mundo que nunca as acolheu verdadeiramente, que, quando muito, as suportou com reservas, para o qual nada valem. 

Dito tudo isso, tendo desabafado o que me entala a garganta, quero pedir que sempre que leem uma notícia semelhante, reflitam um pouco, moderem as considerações, abrandem o preconceito, respeitem o sofrimento dos familiares das vítimas e, se puderam, exercitem a compreensão e a compaixão. É o mínimo que nós, enquanto membros dessa mesma sociedade que os maltrata e segrega, podemos fazer. 

E me perdoem eventuais erros de visão e interpretação do mundo gay; não sou perfeito, mas tendo fazer alguma diferença.

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NOTA: Texto escrito em razão da notícia do assassinato de um aposentado, após receber a visita noturna de dois rapazes. A vítima foi encontrada no dia seguinte totalmente nua, amordaçada, pés e mãos amarrados. Houve roubo de alguns objetos eletrônicos da casa.

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One Response to SOLIDÃO DESESPERADORA NO OCASO DA VIDA – por Iatagã Bulcão (23-11-2012)

  1. iatagabulcao says:

    Preciso consertar muita coisa porque apareceram palavras que não escrevi e o texto está truncado. É um teste

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